Seminários Discentes

SDs – Seminários Discentes

LOCAL: Salas de aula do PPGAS/FACH

Data: Quinta-Feira (10/nov) – Tarde (13:30h)


 

 

Título: “A mulher pantaneira e o enfrentamento da Pandemia de Covid-19”

Autor(es): Ana Adelaide Ortega; Mara Aline Ribeiro dos Santos

Resumo:

OBJETIVO: Analisar a perspectiva da mulher pantaneira em relação ao trabalho com o turismo e outras frentes de trabalho, em tempos de pandemia no Pantanal Sul. METODOLOGIA: A metodologia designada a essa pesquisa será conciliada através do método de entrevistas qualitativa semi-estruturadas, análise de discurso e pesquisa de campo com observação participante. As entrevistas semi-estruturadas, conciliadas a análise de discurso, irão propiciar maior rendimento as falas, vivências e experiências, por parte daqueles que serão entrevistados.RESULTADOS E DISCUSSÃO: Com a implementação da atividade turística nas décadas finais do século passado, a mão de obra feminina desponta como um fator preponderante do turismo, abrindo novos horizontes e postos de trabalho para as mulheres pantaneiras. Contudo, esse cenário de protagonismo alcançado pelas mulheres pantaneiras foi alterado drasticamente em 2020, com a declaração do estado pandêmico de covid-19 pela Organização Mundial da Saúde – OMS. Logo, o campo do trabalho turístico foi diretamente afetado, implicando em fatores econômicos. Considerando tratar-se de uma atividade retrátil a qual deveria se adaptar às medidas sanitárias de biossegurança, a prática turística foi inviabilizada por um determinado período, inclusive em ambientes naturais como no caso do Pantanal Sul. (BARBOSA, 2020; RIBEIRO; GONÇALVES; OLIVEIRA, 2021). Como resultado, a pesquisa conta com elaboração de artigo científico, para referenciar e direcionar políticas públicas de apoio e auxílio, às mulheres do Pantanal Sul em tempos de pandemia. CONCLUSÃO: As pandemias são agravantes sociais tanto nas questões de saúde, quanto na qualidade de vida, tendo em vista que a cor, o gênero e a classe social, podem condicionar drasticamente as condições de vida e no trabalho. Portanto, é importante que seja apurado como as mulheres pantaneiras têm vivido e/ou sobrevivido aos tempos de pandemia, já que podem estar passando por dificuldades financeiras, sobretudo as que fazem parte da cadeia produtiva do turismo, com a retração e redução da atividade durante os meses de maior incidência da doença. Sendo assim, entender como as mulheres pantaneiras, enquanto trabalhadoras, se mantiveram economicamente nos tempos pandêmicos vividos nos últimos anos, como provedoras em seus lares ou não, se torna questão pertinente às pesquisadoras.

 

Título: “Pantanal em tempos de pandemia: diferentes olhares das comunidades locais”

Autor(es): Ana Cláudia Goes Rocha

Resumo:

No Pantanal Sul, além da expansão na produção bovina de corte, o turismo despontou como uma atividade econômica importante desde meados dos anos 1980, tanto com o turismo de pesca, quanto pelo chamado turismo contemplativo. Assim, novas perspectivas de geração de emprego e renda começaram a permear as comunidades pantaneiras. A dinâmica da pecuária e do turismo conduziram o viver pantaneiro por décadas, com pequenas variações. Contudo, esse cenário foi alterado drasticamente em 2020, a partir da declaração da OMS do estado pandêmico de covid-19, desencadeando a necessidade de rápida adaptação à nova realidade, a qual interferiu diretamente no modo de vida de homens, mulheres e crianças que vivem e produzem no Pantanal. Objetivo: “Compreender o processo de reestruturação econômica das comunidades pantaneiras diante do ordenamento posto a partir da pandemia da covid-19”. O percurso metodológico permeia os saberes de várias ciências, tais como: geografia, economia, sociologia, história e antropologia. Além de contar com levantamento bibliográfico; trabalho de campo (entrevistas e questionários semiestruturados; observação participante. Delimitação espacial: Pantanal do Abobral às margens da Estrada-Parque Pantanal. A localização das comunidades ribeirinhas, das pousadas e dos ranchos de pesca às margens da Estrada-Parque Pantanal é um facilitador para o fluxo de turistas e pantaneiros/as, porém, também são as primeiras a sentirem as transformações das mudanças estruturais de ordem social, econômica e espacial. Os resultados esperados constituirão na produção de artigos científicos, participação em eventos acadêmicos, além de tornar público os dados da pesquisa aos/às representantes governamentais, para que possam conhecer e compreender a realidade local. O turismo foi extremamente afetado pelas restrições impostas com as medidas de biossegurança, inviabilizando a prática turística e todos os elementos que a compõem, sobretudo o trabalho. Com a interrupção da movimentação das pessoas e produtos, a atividade passou por um período de retração, atingindo diretamente nos postos de trabalho local. É nesse cenário que as comunidades pantaneiras tiveram de sobreviver e manter a família nos últimos dois anos, buscando alternativas de subsidio em diversas frentes de trabalho. Progressivamente, o turismo no Pantanal está retomando a prática, porém, com um perfil de turista bem diferente do período considerado pré-pandemia, quando o percentual de turista estrangeiro/a na região era maior do que é apontado no primeiro semestre de 2022.

 

Título: “O papel da morte no Tekoha e no sexo ‘frágil’ Kaiowá”

Autor(es): Leylanne Rittes Miranda; Antônio Hilário Aguilera Urquiza

Resumo:

Objeto: As práticas fúnebres tradicionais e a cosmologia da morte, juntamente com suas transformações no culto aos mortos. Sobretudo, as mulheres Kaiowá, que ocupam um papel central nesses âmbitos. Metodologia: O estudo foi realizado no Campus da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, onde se produziu uma análise bibliográfica sobre as especificidades das mulheres Kaiowá, efetuado uma pesquisa antropológica da relação entre mulheres indígenas, além de produzir um levantamento de documentos e pesquisas virtuais sobre feminicídio e etnocídio, óbitos indígenas. Resultados: Os Kaiowá e Guarani, assim como os demais povos indígenas, tiveram sua cultura e práticas transformadas através do contato com os não indígenas com o passar do tempo, incluindo seus ritos fúnebres que se transformaram. Todavia esses povos possuem uma ligação de alteridade com o seu território, onde a terra provem tudo que os indivíduos precisam, criam um laço cultural, dependem dessa terra enquanto vivos e após a morte, retornam para a terra em forma de pó, a tornando fértil e próspera. Isso interfere em suas práticas post mortem e a maneira de ver seus mortos, algo deturbado pelos não indígenas de diversas formas. As mulheres Kaiowá enfrentam outra vertente da morte além do rito, elas são as principais vítimas de violência cometidas contra comunidades indígenas. As mulheres ocupavam um lugar de prestígio na sociedade guarani. Elas eram as reprodutoras da ordem social tradicional e tinham o respeito de sua sociedade. Todavia, atualmente, muitas se encontram limitadas em casas, quintais reduzidos e precários em reservas, tornando-se dependentes dos homens e acometidas das mais diversas violências. Conclusões: Tamanha influência dos não indígenas afetaram suas práticas tradicionais, geraram ondas de violência e dependência. Enquanto as mulheres não são amparadas pela Lei Maria da Penha – 11.340/06 por serem indígenas, se tornando vítimas do feminícidio, ocorre ao mesmo tempo o etnocídio, onde a comunidade convive com a morte e seus mais diversos significados e dores, usando cemitérios como provas judiciais em procesos legais e laudos.

 

Título: “Currículo e a pedagogia cultural no Instagram: notas introdutórias sobre feminilidade, geração e negritude em Mato Grosso do Sul”

Autor(es): Laura Beatriz Rocha da Silva

Resumo:

Esse Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em fase final de elaboração tem como tema as feminilidades expressas/performadas por uma geração de mulheres sul-mato-grossenses autodeclaradas negras, tendo como objeto os perfis públicos destas na rede social Instagram. A pesquisa tem por objetivo analisar o currículo e a pedagogia cultural na produção das feminilidades presentes no Instagram de determinada geração de mulheres autodeclaradas negras em Mato Grosso do Sul, à luz das teorias pós-críticas nas quais entende-se que os espaços pedagógicos existem para além dos ambientes escolares, utilizando-se da etnografia on-line como método na produção dos dados objetivados. Sociologicamente, entende-se que essas mulheres negras, ao manter um perfil com compartilhamento de fotos e vídeos, bem como seus cotidianos apresentados por estes meios, não exercem apenas o que está colocado explicitamente: através de suas publicações, das legendas e dos comentários observados, nota-se que há um movimento de criação, reprodução, de ensino e aprendizagem acerca do que caracteriza, na materialidade do corpo, ser uma mulher negra. Não se trata de uma simples reprodução da realidade, mas, também, da criação da mesma, simultaneamente ao processo em que se ensina sobre determinada forma de ser e se comportar para e com os/as seguidores/as. A partir dos resultados obtidos compreende-se que há uma dualidade nas representações observadas que, se por um lado, podem ser compreendidas como subversivas, como um mecanismo de “empoderamento”, por outro também são capturadas por práticas de padronização.

 

Título: “Território Guyraroká: o processo de retomada e a articulação política das mulheres Kaiowá e Guarani na luta pela terra e pela vida”

Autor(es): Laura Luiza de Mendonça; Antônio Hilário Aguilera Urquiza

Resumo:

O presente estudo pretende analisar os fenômenos sociais e de gênero que envolvem as lideranças femininas indígenas na área de retomada da terra indígena Guyraroká, situada no município de Caarapó (MS). A redação deste estudo justifica-se pela importância de analisar as condições dos processos de autodemarcação do território indígena no cone sul de Mato Grosso do Sul e compreender o papel das lideranças femininas dentro e fora das aldeias pela recuperação do seu território tradicional, consequentemente, o acesso aos demais direitos fundamentais. Permeando toda nossa reflexão está o aprofundamento em conceitos complexos e polissêmicos, tais como territorialidade, demarcação territorial, movimento social indígena, entre outros. Desse modo, a metodologia empregada foi o levantamento bibliográfico, documental e teórico que será a partir de livros, dissertações, teses, laudo antropológico e artigos científicos. Conclui-se que o processo de autodemarcação é a resposta de anos de morosidade do Estado brasileiro em reconhecer os direitos indígenas de acesso e permanência ao seu território tradicional e as mulheres kaiowá estão atuando como mediadoras entre suas comunidades indígenas e os diversos níveis de poder pelas suas demandas: pela terra, o reconhecimento dos direitos coletivos de seus povos previsto na Constituição de 1988 e seus direitos específicos de mulher indígena.”