Grupos de Trabalho
GRUPO DE TRABALHO – 1
LOCAL: Salas de aula do PPGAS/FACH
Data: Quarta-Feira (9/nov) – Tarde (13:30h)
Título: “Do São João à Deus”
Autor(es): Tatiane Aparecida Dreger De Souza Fernandes; Mara Aline dos Santos Ribeiro; Álvaro Banducci Jr.
Resumo:
Este trabalho inclui uma autobiografia da própria autora, onde viveu uma experiência de campo no município de Corumbá – MS, através da festa de São João, onde exprimiu a experiência vivida durante este festival. A festa de São João é uma comemoração que acontece durante os festejos juninos oferecidos a São João Batista, nas cidades de Corumbá – MS e Ladário – MS. Objetivo: O objetivo deste trabalho foi evidenciar a importância do método biográfico dentro da etnografia, assim como o contato intersubjetivo entre pesquisador e o seu campo de análise. Metodologia: Para este trabalho a observação participante foi utilizada durante toda a pesquisa, orientada por autores como Favret-Saada (2005); Clifford (2002); Malinowski (1922), após o contato com o campo foi utilizado a escrita como tradução da experiência para forma textual por meio do método biográfico, neste processo autores como Pujadas (2000); Okely e Callaway (2005) serviram de norteio. Resultados: Durante o banho de santo em Corumbá foi possível notar a fé e o amor da comunidade local, ao decorrer do campo a autora se deixou ser afetada e sentiu de forma integra toda a experiência que os festeiros de Corumbá vivem durante a festa de São João, fazendo com que a autora que se considera Cristã/Protestante pudesse sentir a presença viva de Deus, assim como, do próprio São João que ajudou a carregar no andor. Conclusão: Ao deixar ser afetada pelo campo, a autora atingiu uma autorreflexão de suas preconcepções trazidas da religião Cristã/Protestante, como também da própria história de sua família evidenciando suas origens onde sua mãe amava o banho de santo quando criança e sua avó que antes se tornar protestante, foi parteira e benzedeira na cidade de Cáceres – MT. Durante o processo da autobiografia, a autora viu a necessidade de expor sua experiência por meio da escrita pontuando que Deus estava sob aquele lugar, dando voz a fé do povo festeiro. Ademais, uma autobiografia é levar aos leitores de etnografias o maior número de evidências, conseguir transpor o valor simbólicos dos acontecimentos é fazer sentido ao campo estudado e sobretudo afastar as tipificações dos sujeitos, o caráter reflexivo pode alcançar antropólogos que talvez nunca irão estar nesses lugares, e como já dito, dar voz a estas narrativas é dar voz ao outro, é dar voz para aqueles que fazem parte do espaço, que o ajuda a transformar e contribui para sua valorização.
Título: “Em campo, a lei se cala: o silêncio do Legislativo para os povos de terreiro de Candomblé em Campo Grande-MS”
Autor(es): Gabriel Pereira Garcia; Francesco Romizi
Resumo:
As questões inerentes aos povos tradicionais são imprescindíveis para a compreensão das tensões e organizações sociais contemporâneas, especialmente sobre os impactos que essas imprimem na identidade cultural desses povos. Assim, este trabalho se propôs a analisar como, historicamente, o município de Campo Grande – MS legiferou acerca de tais povos tradicionais, nomeadamente em relação aos terreiros candomblecistas. Para tanto, elegemos como recurso metodológico a pesquisa documental realizada nas imprensas oficiais para consulta da legislação (Prefeitura Municipal de Campo Grande, Diário Oficial de Campo Grande, Câmara Municipal de Campo Grande e Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso do Sul), alicerçada pelo estudo bibliográfico do tema. Como resultado destacamos a exiguidade de leis e/ou atos normativos disponibilizados sobre o tema. Tudo isso nos levou a crer a que política pública do Estado e Município por ação ou omissão, desconsidera as especificidades desses povos tradicionais, contribuindo para o apagamento de tais identidades, quiçá seu epistemicídio.
Título: “O Disco Voador: um olhar decolonial do mito”
Autor(es): Leonardo Cristian Martins
Resumo:
Popularizado nos Estados Unidos, o mito do disco voador passou a ser difundido mundialmente graças à movimentos culturais da década de 1950, ao alcançar as terras brasileiras, os objetos voadores não identificados modificaram a nossa visão e foram por ela modificados. Percebe-se que o disco voador no Brasil possui características próprias, que diferem da visão estadunidense, por conta dos contextos sociais e culturais próprios do nosso país. Sendo assim, o presente artigo se propõe a trazer uma perspectiva decolonial do mito do disco voador, diferenciando-o da visão estadunidense, de modo a demonstrar as rupturas e continuidades que fazem parte da tradição oral e da cultura popular. Para tal, realizei uma revisão bibliográfica na hemeroteca da biblioteca nacional sobre os casos de avistamentos brasileiros, sua relação com o militarismo e a interculturalidade. Com isso evidenciamos a pluralidade interpretativa da representação, enfatizando a particularidade dos avistamentos brasileiros.
Palavras-chave: Disco Voador; mito; decolonialidade;
Título: “As crianças Kaiowá da Comunidade Laranjeira Nhanderu”
Autor(es): Tania Milene Nugoli Moraes; Maria Raquel da Cruz Duran; Antônio Hilário Aguilera Urquiza
Resumo:
Nessa proposta de trabalho apresentarei a comunidade Laranjeira Nhanderu a partir da interação com as crianças, pretendo contextualizando a área estudada a partir do olhar das crianças. Apresentando um contexto geral das crianças que vivem nessa área, buscando apresentar a realidade delas e elas como agentes do fazer a cultura, perante as atividades do cotidiano de ser Kaiowá, pois partindo da reflexão de clarice cohn (2021) de que não pode-se fazer antropologia sem as crianças e que nas sociedades ameríndia, inclui-las é fundamental, falar da comunidade Laranjeira necessariamente implica em trazer as crianças e aqueles que foram crianças para ajudar a compor o tessitura desse trabalho.
GRUPO DE TRABALHO – 2
LOCAL: Salas de aula do PPGAS/FACH
Data: Quarta-Feira (9/nov) – Tarde (13:30h)
Título: “Ataques ao trabalho docente durante a pandemia da Covid – 19: currículo e pedagogia cultural em contextos sul-mato-grossenses”
Autor(es): Otávio Henrique Rodrigues dos Santos
Resumo:
A pesquisa desenvolvida envolve o trabalho docente em tempos de pandemia da Covid-19. Devido a forma de contágio da doença e riscos à saúde, encerraram-se as aulas presenciais em março de 2020, tornando as mesmas em formato de ensino remoto. Esta nova realidade de ensino remoto trouxe novos desafios ao campo da educação, especialmente no que se refere a relação professor-aluno fora da escola e professor-comunidade. Por isso, penso na educação fora dos muros da escola, não somente porque o trabalho docente tornou-se remoto, mas porque o que envolve essa nova realidade tem pedagogias e currículos próprios.
Em tempos pandêmicos, quando o trabalho docente passou a ser remoto devido a Covid-19, inúmeras narrativas acerca da profissão surgiram produzindo certos currículos sobre a atuação dos professores. O objetivo foi analisar o currículo e a pedagogia cultural de parte dos artefatos das mídias digitais que produzem ataques contra o trabalho docente durante a pandemia da Covid-19 em contextos sul-mato-grossenses. A metodologia utilizada nesse trabalho foi a etnografia online e a bricolagem a partir de notícias em páginas jornalísticas do facebook. As buscas foram feitas em etapas em que houve a escolha inicial dos jornais a partir do número de seguidores, a quantidade de notícias presentes e a escolha das notícias para análise. Diante disso, foram selecionados 18 artefatos para discussão. Os currículos estabelecidos por meio das notícias, desde seu conteúdo à interação das pessoas através dos comentários, se mostraram presentes discursos de ódio, partidário negacionistas e de teor sexual, uma vez que esses ataques se relacionam diretamente ao trabalho docente. A maioria dos professores são de esquerda então… Mais uma vez #Bolsonarotemrazão, se podem ir para vários lugares, para aula também oras bolas.” “Para de frescura e volta tudo ao normal! Não tem pandemia em MS e só baba ovo comissionado e funcionário público preguiçoso que fica com essa palhaçada de “fica em casa”. Já deu isso hein!” Conclui-se que a pandemia intensificou os ataques à profissão docente, criando novas configurações acerca do papel do professor. O artefato midiático evidenciou o quanto o trabalho do professor durante o ensino remoto foi desqualificado, inúmeros ataques mostraram que na visão da sociedade o professor não trabalhou na pandemia, além dos discursos contrários ao que era retratado pela secretaria estadual de saúde. Todo esse fenômeno elencou diferentes maneiras de agir e pensar sobre a profissão docente, criando assim novas pedagogias culturais.
Título: “Currículo e a pedagogia cultural em artefatos jornalísticos sobre a novela ‘Pantanal’: ‘Pantaneiro de raiz’, traduação curricular-cultural e a produção das diferenças”
Autor(es): Silas Miquéias da Silva; Tiago Duque
Resumo:
O objetivo dessa pesquisa qualitativa foi analisar o currículo e a pedagogia cultural das notícias que circularam na região sul-mato-grossense sobre o remake da novela Pantanal. Para isso, em uma perspectiva pós-crítica em Educação, considerou-se que as notícias são artefatos culturais – com discursos que procuram produzir certos tipos de sujeitos. As 34 notícias foram selecionadas, principalmente, por meio de perambulações etnográficas em ambiente digital. Os resultados demonstram que o currículo construído passa por constantes disputas sobre o que é ser pantaneiro. As imagens da natureza e de elementos da cultura material local são utilizadas pedagogicamente nas notícias. Esse processo ocorre entre os moradores da região de Aquidauana, local da gravação e de interação entre os envolvidos na produção da novela. Sobre quem aprende são os atores que tentam interpretar, por meio de processos de tradução curricular-cultural, os costumes e as pessoas do Pantanal: “(…) iguaizinhos aos peões do MS. Parece que ele está aprendendo mesmo” (Jornal Midiamax). Já quem ensina o conteúdo curricular é, principalmente, o “pantaneiros de raiz”, ainda presente no contexto contemporâneo das gravações. São eles que possuem reconhecimento social, isto é, a autoridade, para falar e ensinar sobre esse conteúdo: “Somos de Aquidauana mesmo, ele sempre foi pantaneiro, trabalhou desde cedo por essa região de Aquidauana (fala da filha do Pelé, um dos peões citados nas notícias por ensinar José Loreto a performar na novela o peão Tadeu). As representações consideradas disformes, passam por processos de disputas complexas que tentam fixar um significado final do que é ser pantaneiro e de como se deveria performar o currículo e a pedagogia cultural do remake. Demonstrando em uma das notícias as “5 coisas na novela Pantanal que matam os pantaneiros de raiva”, sendo elas: (1) A dança performática que Joventino fez para o boi Marruá: E a dancinha para o boi dormir??? Kkkkk. Um fiasco”, comentou o fazendeiro da região que foi entrevistado. (2) O sotaque: “Pior é ver personagens pantaneiros falando igual piracicabano… Cadê o sotaque do Pantanal? Tá parecendo um sertão nordestino”. (3) O tereré “Nutella”: “o tereré só apareceu servido com garras térmicas estilizadas”. E por fim, (4/5) a “faca inox” e o berrante não envelhecido apontado pela jovem de 23 anos que não preferiu ser identificada na notícia. Esse resultado corrobora o reconhecimento da autoridade discursiva e pedagógica de quem ensina. Mas, apesar dos esforços pedagógicos e de quem procura fixar o significado sobre certas práticas curriculares, ora ou outra os currículos apresentaram estar sendo reinterpretados e reproduzidos de forma diferente daquela ensinada dentro e fora da novela.
Título: O novo ensino médio em Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Autor(es): Liliana Simionatto
Resumo:
Este artigo descreve, na visão de professores e alunos, a implementação do Novo Ensino Médio, em especial do ensino de Sociologia na Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso do Sul, no município de Campo Grande. Através de entrevistas semiestruturadas, 3 (três) professores e 3 (três) estudantes responderam um questionário contendo perguntas de resposta aberta. A todos foi perguntado sobre o Novo Ensino Médio e a disciplina “Projeto de Vida”. Aos professores foi questionado sobre suas percepções do ensino de Sociologia no Novo Ensino Médio. Na perspectiva dos mesmos o Novo Ensino Médio é inapropriado pois não combate às desigualdades sociais, não altera a estrutura anterior e nem as condições básicas das escolas; além disso, não há a devida valorização dos professores. Porém, observa-se um ponto positivo, já que nos itinerários formativos poderão trabalhar em pesquisas científicas, estudos temáticos da vida social e a própria interação comunitária. A disciplina Projeto de Vida é desnecessária, não tem uma organização em sua estrutura enquanto disciplina e deveria ser lecionada por psicólogos ou orientadores vocacionais. Para os docentes, o ensino de Sociologia continua com uma carga horária baixa. Ademais, trabalhar com competências e habilidades deixou fora do currículo temas básicos da Sociologia. Entretanto, nos itinerários formativos o professor poderá trabalhar melhor a Sociologia. Há uma grande expectativa em relação aos itinerários formativos para o ensino de sociologia. Em suma, novos estudos deverão ser feitos para comprovar a efetividade da implantação deste novo formato de ensino/aprendizagem.
Palavras – chave: Educação. Ensino. Escola Pública.
Título: Educação física e pedagogia cultural: o que nos revelam os estudos
Autor(es): Sarah da Silva Corrêa Lima; Marcelo Victor da Rosa
Resumo:
Este estudo se propôs a fazer um breve levantamento, nas principais bases de dados de Teses e Dissertações do país, acerca das produções que abordam a Educação Física Escolar em correlação com a Pedagogia Cultural. Para tanto, nosso referencial teórico é pautado nos Estudos Culturais, mais especificamente na Pedagogia Cultural, a partir das produções de diferentes autoras/es pós-críticas/os. Deste modo, apresentamos três tópicos que compõem o capítulo: Alguns Percursos da Educação Física; A Pedagogia Cultural e o Currículo Cultural; Pedagogia Cultural e a sua Inserção na Educação Física Escolar. As produções apontam que a Educação Física, ao se valer de um currículo cultural, tem conseguido debater os marcadores sociais da diferença e produzindo novas percepções de manifestações corporais na Educação Física escolar.
Título:“Sonho em ser PM”: masculinidades hegemônicas e produção de desejo no currículo dos canais de PM
Autor(es): Alistair Dante Lee Burema; Tiago Duque
Resumo:
Nos canais de PM, isso é, canais de autoria de policiais militares na plataforma YouTube, é vivenciado o policiamento extensivo pelas lentes dos policiais militares, que entre perseguições e ocorrências, onde é possível observar a formação e fortalecimento de desejos punitivistas, que culminam no sonho de participação na realidade policial militar. Assim, esses canais são analisados, em uma leitura a partir dos estudos pós-críticos em Educação, como artefatos culturais, portadores de uma pedagogia, apoiada por um currículo cultural. A pesquisa, então, se trata de uma tentativa de compreender esse currículo que é formado pelos canais de PM situados no estado de Mato Grosso do Sul, descrevendo sua ação como pedagogicamente formadores de indivíduos. Para tal, foi realizada uma pesquisa qualitativa, com o emprego da etnografia on-line realizada na plataforma digital YouTube. Onde foram selecionados, em um processo de perambulação, 6 canais e deles 30 vídeos, os quais foram produzidos dentro do Estado de Mato Grosso do Sul. Para organização de dados obtidos foram realizados fichamentos e printscreens, salvos em pastas dentro do aplicativo Google Drive. As análises apresentadas partem do conceito de masculinidades como práticas realizadas na ação social e exatamente por essa natureza social, variantes de acordo com especificidades do cenário que se encontram, de forma a adotar um viés plural. Logo, é crucial percebê-las como o conjunto de práticas sociais que moldam uma configuração societal hierarquizada, com configurações de dominação através de relações de poder. É através das práticas consequentes das configurações de dominação masculinas que surgem as masculinidades hegemônicas. Elas necessitam ser constantemente demonstradas e reforçadas, manifestando-se a partir da negação de certas qualidades. Neste sentido, ser homem policial militar torna-se não ser bandido dentro de uma dicotomia policial-criminosa fabricada. Ainda nessa lógica, pode-se observar a produção do prazer que nasce da espetacularização da violência, onde se subjuga aquele que é considerado antagônico a si em um processo de humilhação que produz prazer. Nestes canais, esses desejos viram realidade e o sofrimento como punição é justificado em lentes de heroísmo, tornando-se mais facilmente consumível em uma espetacularização da violência. Assim, o ato de assistir, curtir e comentar os vídeos destes canais, transforma-se em um método de elevação de caráter, onde o punitivismo, quando adotado pelos policiais militares para/com criminosos, além de criar o prazer, serve como demonstração da identidade não criminal do espectador. No mesmo sentido, há, também, o desejo que se manifesta no “sonho policial”, aquele relativo à integração, logo, pertencimento a esse universo.